Caminhoneiros utilizam rádio PX capaz de interceptar satélite da marinha americana

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Os caminhoneiros, em todos os locais do mundo, utilizam o rádio amador para se comunicar entre si nas rodovias. Mas os motoristas brasileiros, por sua vez, foram longe de mais e desenvolveram sistemas avançados capazes de transmitir e receber ondas de rádio do famosos satélites “bolinha”.

Esses satélites militares, denominados como FleetSatCom ou UHF SatCom, foram lançados em órbita entre 1975 e 1992 pela Marinha dos Estados Unidos para a transmissão de mensagem criptografadas.

Com o passar do tempo, essa tecnologia ficou ultrapassada e esses equipamentos foram “abandonados” em órbita.

Como não é possível “desligar” esses satélites, muitos continuam ativos e são utilizados de forma clandestina por caminhoneiros, garimpeiros, madeireiros e até mesmo facções criminosas.

Ao contrário do Rádio Amador (PX) comum, que transmite e recebe ondas de rádio diretamente para o outro rádio, o Rádio Bolinha, como ficou conhecido, transmite as ondas de rádio para o satélite que está em órbita e em seguida, essas ondas são enviadas aos demais rádios.

Com isso, quem possuir o equipamento, pode se comunicar com qualquer outro rádio bolinha em toda a América. Isso mesmo, um caminhoneiro do Rio Grande do Sul pode conversar com um caminhoneiro do Rio Grande do Norte ou até mesmo do Canadá.

Em 2015, a Polícia Rodoviária Federal se surpreendeu ao apreender um desses rádios em uma carreta-cegonha. O que chamou a atenção da polícia na época, foi a complexidade do sistema utilizado no equipamento.

Do ano 2000 até 2010, era possível encontrar “oficinas” às margens das rodovias que desenvolviam esse tipo de equipamento e revendiam aos caminhoneiros.

Os rádios normais, utilizam faixas de radiofrequências entre 26,960 MHz e 27,860 MHz, já os rádios bolinhas clandestinos, capazes de acessar os satélites, trabalham na faixa de 250 a 260 MHz.

A utilização desses satélites é ilegal, e seu uso configura crime (artigo 183 da Lei 9472/97), sendo que autoridades norte-americanas e brasileiras estão empenhadas na identificação dos “usuários” desses satélites, até mesmo devido a ligação da maioria deles com o narcotráfico e com o crime organizado.

Os militares norte-americanos realizam a triangulação dos sinais de emissão com grande precisão e repassam esses dados as autoridades brasileiras, que já tem efetuado dezenas de apreensões nesse sentido.

O próprio Fernandinho Beira Mar foi localizado na Colômbia devido a triangulações de suas comunicações usando os satélites bolinhas.

Apesar disso, alguns caminhoneiros continuam utilizando esses equipamentos nos caminhões. Como os veículos estão sempre em movimento, os militares norte-americanos e a Polícia brasileira, têm dificuldades em localizar a origem das transmissões.

Nos caminhões, o equipamento é camuflado junto com o sistema elétrico do veículo, dificultando ainda mais a fiscalização da polícia. Apenas um técnico especializado seria capaz de encontrar o rádio dentro de um caminhão.

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