O dia que uma caminhoneira fez o que milhares de caminhoneiros sonhavam em ter feito

O dia que uma caminhoneira fez o que milhares de caminhoneiros sonhavam em ter feito

Em um ato de protesto, uma caminhoneira bloqueou, com a própria carreta, a praça de pedágio da BR-163, em Sorriso/MT, após uma discussão a respeito da cobrança indevida no valor da tarifa.

A confusão começou durante a noite desta segunda-feira (10), após uma funcionária realizar a cobrança por sete eixos da carreta que estava vazia.

A caminhoneira questionou o fato, afirmando que apenas cinco eixos estavam em contato com o solo e os quatro restantes encontravam-se suspensos.

“Estou com a carreta vazia, por isso não vou aceitar pagar mais do que cinco eixos. Pago nove voltando. Isso aqui é um roubo. A estrada está cheia de buraco. Estamos pagando um absurdo para rodar aqui. Uma morte em cima da outra, um tombamento em cima do outro, uma batida em cima da outra, e ninguém faz nada. Então, quando a gente quer pagar o justo, eles também não querem receber”, disse a mulher.

“Faz mais de 15 anos que tenho caminhão e nunca me senti tão humilhada. Cheguei aqui para pagar o pedágio, como faço quatro vezes por dia, e ela (atendente) falou se eram seis eixos, eu disse que eram cinco. São 7 reais, mas são meus. Falei que não. Ela saiu e me deixou falando sozinha. Apareceram duas mulheres, nenhuma resolveu meu problema. Não vou aceitar ninguém me roubar”, declarou a caminhoneira, que é moradora de Sorriso e também estava com o marido.

Revoltada, a caminhoneira deu ré na carreta e atravessou o veículo na pista, bloqueando totalmente os dois sentidos do pedágio.

Deu aula de direto para a PRF

“A PRF diz que o eixo precisa estar no mínimo a 15cm do solo para ser considerado suspenso, mas e o meu direito de andar em uma pista que o acostamento seja em nível com a BR?” questionou a caminhoneira.

Em trechos da BR-163, administrados pela Rota do Oeste, o acostamento possuí um desnível maior do que 10 cm, o que coloca em risco os usuários da rodovia.

Diante disso, fica evidente que a fiscalização dos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), é diferenciada conforme a profissão ou instituição.

Na internet, milhares de caminhoneiros mostraram apoio a ação da caminhoneira, afirmando que a mesma deve servir como exemplo.