Trens não diminuem número de caminhões | Em alguns casos, aumentam

Trens não diminuem número de caminhões, podendo até aumentar

Ao contrário do que muitos pensam, o aumento da utilização de trens no transporte de cargas não diminui ou inabilita a atuação dos caminhões.

Para entender melhor essa afirmação, separados alguns dados dos Estados Unidos (Maior malha ferroviária do mundo) e comparamos com os do Brasil (9ª maior malha ferroviária do mundo).

Atualmente, os EUA possuem cerca de 293 mil quilômetros de malha ferroviária, já o Brasil possuí apenas 30 mil quilômetros de ferrovias.

Mesmo assim, o número de caminhões nos Estados Unidos é 41% maior que do Brasil. Levando em consideração que na agricultura os dois países lideram os rankings mundiais, essa diferença demostra que o setor logístico brasileiro ainda é um gargalo no escoamento das safras.

Sem caminhões, não existe trens:

O fato é que o transporte por trens e por caminhões, complementam-se. A junção de forma eficiente desses dois meios de transporte, resulta em uma logística mais barata e rápida. Além disso, existe um limite na utilização de cada um.

Nos Estados Unidos, o transporte por caminhões é empregado com mais intensidade em viagens curtas, cargas leves ou que exigem mais agilidade. Por esse motivo, dos 15,5 milhões de caminhões que operam nos EUA, somente 2 milhões são “carretas” (cavalo mecânico + implemento).

Já o transporte via ferrovias, torna-se viável para cargas com grande quantidade de peso, especialmente para longas distâncias.

Dados da Associação de Ferrovias Americanas apontam os tipos de cargas mais transportadoras via ferrovias:

Trens aumentos a utilização de caminhões:

Outro fato que deve ser ressalto é que os trens não diminuem o número de caminhões, sendo que em alguns casos, há um aumento no número desses veículos.

Isso ocorre devido à inviabilidade de empregar os trens em todos os locais, sendo que normalmente, eles são utilizados para percorrer apenas grandes distâncias e ao chegar no destino, a carga é distribuída para diversos caminhões que realizam a entrega final.

Exemplificando no transporte de soja.

Ferrovias normais, permitem que cada vagão transporte 100 toneladas. Uma carreta rodotrem + cavalo 6×4, pode trasportar até 50 toneladas de carga liquida. Ou seja, para cada vagão, dois caminhão deixariam de existir.

Porém, o trem não vai buscar a carga na fazenda. Com isso, é necessário empregar um caminhão e nas fazendas dos EUA, são utilizadas caminhões 6×2 com carretas com 2 eixos, que possibilitam mais agilidade no

Se no Brasil fosse utilizado o mesmo processo, para que um vagão fosse carregado, seria necessário 3,3 caminhões 6×2 + carreta 2 eixos (carga útil de 30ton).

Repetindo o processo quando o vagão chegasse no seu destino, caso a distribuição fosse realizada nos moldes americanos, seriam necessárias outros 3,3 caminhões para realizar o transporte da carga de cada vagão para seu destino final.

Na teoria, seriam 2 carretas rodotrem a menos, porém 6,6 caminhões 6×2 + carreta 2 eixos a mais.

Transporte Brasileiro é desleal com o pequeno:

No Brasil, os caminhoneiros autônomos atuam com mais intensidade em caminhões com Peso Bruto Total de 48,5 ton. Já as grandes transportadoras dominam o transporte com composições bitrem e rodotrem.

Nos Estados Unidos, além desses veículos grandes quase não existiram, a atuação de grandes transportadoras é fraco: as estimativas é de que haja 1,2 milhão de empresas nos EUA. Desse número, 97% operam com 20 veículos ou menos, enquanto 90% operam 6 ou menos caminhões.

O aumento no transporte de trens pode prejudicar as grandes transportadoras, mas beneficiar os caminhoneiros autônomos que possuem caminhões pequenos, já que por consequência, há um aumento considerável na demanda para o transporte de quantidades menores e em pequenas distâncias.